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Incenso

Em sentido restrito, incenso é a resina da árvore com mesmo nome usada para perfumar, queimando-a, um determinado local. Em sentido lato, incenso será qualquer produto que, queimado, produza efeito idêntico. E, de facto, mostra a história que ao incenso se vieram juntar, enquanto produtoras de fumos fragrantes, a mirra, e muitas outras madeiras, cascas, sementes, raízes e flores aromáticas.

A queima de incenso, quer no sentido restrito como no sentido lato, foi prática quase universal em tempos antigos, sobretudo no âmbito da grandes religiões do planeta, com inúmeros significados simbólicos - purificação, oração, oferta aos deuses, elevação aos céus, etc., etc..

Acontecia no Egipto antigo, especialmente em rituais fúnebres, e no culto diário ao Deus Sol, Amon-ra; foi corrente em Israel antes do exílio forçado dos judeus na Babilónia – 586 – 538 A.C.; Gregos e Romanos não a dispensavam, os últimos, por exemplo, durante cerimónias de culto ao Imperador; os índios sul americanos pré colombianos integravam-na nas suas cerimónias de adoração aos deuses; ocorria, na China antiga, durante festivais, cortejos de homenagem a antepassados ou deuses caseiros; no século IV D.C., passou a fazer parte do ritual eucarístico Cristão.

A queima de incenso na Índia terá começado, pelo menos, na época da civilização do vale do Indus, ou seja, por volta de 2.500 A.C., e é claramente mencionada nos Atharvaveda e Rigveda, deixados pelos arianos. O incenso era usado não só para criar um ambiente agradável, mas também com propósitos medicinais, havendo quem considere a sua queima na altura como uma primeira fase da medicina Ayurveda. A composição do incenso seria inspirada pelo princípio dos cinco elementos, com, por exemplos, o elemento terra a ser representado por raízes – gengibre, vetiver, etc. – e o elemento ar a ser representado por folhas – patchouli, etc.. Será posterior a integração da queima de incenso nos ritos religiosos do então nascente Hinduísmo, donde migrou para o Budismo, quando este se tornou religião independente.

De início, as substâncias aromáticas a queimar eram simplesmente espalhadas sobre brasas contidas em queimadores de incenso, de que foram encontrados exemplares arqueológicos um pouco por todo o mundo. Eram incensos da classe hoje chamada 'incensos de queima indirecta', ou seja, incensos que só ardem em contacto permanente com uma fonte de calor externa.

A moldagem de incenso em formas diversas – cones, pirâmides, rolos, bastonetes, etc. - terá tido início na Índia, e conduziu à classe hoje chamada 'incensos de queima directa', quer dizer, incensos que ardem sozinhos, depois de incialmente inflamados por uma fonte de calor - fósforo, p. ex..

O incenso Indiano em bastonetes, Agarbathi, ou Argabatti, o mais conhecido no ocidente, é produzido sobretudo no Estado de Karnataka, cognominado 'capital do Agarbathi. Faz parte dos incensos genericamente designados masala – mistura de especiarias, tal como a masala culinária. Um incenso masala é constituído por uma série de elementos aromáticos pulverizados, feitos numa pasta com um elemento aglutinante, sendo a pasta enrolada em volta de um núcleo, normalmente uma vareta de bambu, ou equivalente. Eventualmente, pode conter também óleos essenciais. Outro incenso masala é o durbar, raro no ocidente, com aromas complexos, um aglomerante que nunca seca completamente, e de queima muito lenta. Masala também é o champa, um incenso com uma resina semi-sólida, da árvore Ailanthus malabarica DC., ou Ailanthus triphysa (Dennst.) Alston., família das Simaroubaceae, vulgar nas florestas sempre verdes dos Gates Ocidentais, de Konkan para sul. Finalmente, é também masala o incenso dhoop, que, contrariamente aos anteriores, não tem uma vareta como núcleo, liberta um aroma muito concentrado, e produz fumo muito abundante quando arde.

Nos séculos XVII – XVIII iniciou-se a substituição, nos incensos, de produtos aromáticos naturais por sintéticos. Daí para cá, essa tendência só se intensificou, dependendo a pureza dos incensos somente da ética dos respectivos fabricantes.

Porque um bom incenso ajuda sempre ao ambiente de uma refeição oriental, para os que preferirem fazer os seus próprios incensos e não tenham as ferramentas e o 'saber fazer' necessários à produção de incensos moldados, aconselhamos os incensos em pó, fáceis de fazer em casa.

  1. Reduzir a pó, com o auxílio de um moinho de café(a), uma mistura de especiarias à escolha;
  2. Dispor o pó num monte cónico, e incendiar o topo deste;
  3. Extinguir, com um sopro suave, qualquer chama que se forme
  4. Deixar arder - a combustão dar-se-á, lentamente, por incandescência.

(a) Este moinho de café deve ser reservado somente para moagem de especiarias.

Ainda até à década de 80 do século passado, a Ervanária Hermética, outrora existente junto ao Largo da Anunciada, em Lisboa, vendia um incenso deste tipo, resultante da pulverização de uma mistura de especiarias, uma das quais o alecrim.

Bastonetes de Incenso

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