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Capitulare de villis


Cortesia Ernst Lehner - Symbols Signs and Signets

Corria a Época Medieval, princípios do século IX, quando o Imperador Carlos Magno publicou um édito chamado Capitulare de villis vel curtis imperii Caroli Magni, em que era definido um vasto leque de regras legais, administrativas, e, em especial, de cultivo, para aplicação no Império Franco. O texto foi redigido numa espécie de Latim Medieval, a língua franca do Império.

A parte final do documento continha uma lista de plantas, culinárias e medicinais, que deveriam ser cultivadas em todos os jardins do Império.

"Volumus quod in horto omnes herbas habeant, id est lilium, rosas, fenigrecum, costum, salviam, rutam, abrotanum, cucumeres, pepones, cucurbitas, fasiolum, ciminum, ros marinum, careium, cicerum italicum, squillam, gladiolum, dragantea, anesum, coloquentidas, solsequiam, ameum, silum, lactucas, git, eruca alba, nasturtium, parduna, puledium, olisatum, petresilinum, apium, levisticum, savinam, anetum, fenicolum, intubas, diptamnum, sinape, satureiam, sisimbrium, mentam, mentastrum, tanazitam, neptam, febrefugiam, papaver, betas, vulgigina, mismalvas, id est althaea, malvas, carvitas, pastenacas, adripias, blidas, ravacaulos, caulos, uniones, britlas, porros, radices, ascalonicas, cepas, alia, warentiam, cardones, fabas maiores, pisos mauriscos, coriandrum, cerfolium, lacteridas, sclareiam. Et ille hortulanus habeat super domum suam Iovis barbam. De arboribus volumus quod habeant pomarios, diversi generis, prunarios, diversi generis, sorbarios, mespilarios, castanearios, persicarios, diversi generis, cotoniarios, avellanarios, amandalarios, morarios, lauros, pinos, ficus, nucarios, ceresarios diversi generis."

Sendo, naturalmente, difícil encontrar tradução para todas as plantas mencionadas, listam-se, seguidamente, as que pensamos serem inequivocamente identificáveis:

Abóbora Cabaça
Abrótano
Acelga
Agrião da Água
Aipo
Alcaravia
Alecrim
Alho
Alho Porro
Almeirão
Alteia
Ameixeiras [de várias espécies]
Amendoeira Doce
Amoreira
Anis
Arruda
Aveleira
Balsamita
Bardana Maior
Bredos

Castanheiro
Catária
Cebola
Cebolinha
Cenoura
Cerefólio
Cerejeiras [de várias espécies]
Chalota
Coentro
Cominho
Couve
Endro
Eruca
Ervilhas
Espinafres
Euónimo
Feijoca
Feno Grego
Figueira
Funcho
Gladíolo

Granza
Grão
Hamamélia
Hortelã da Água
Hortelã Vulgar
Jacinto
Levístico
Louro
Macieiras [de várias espécies]
Malva
Marmeleiro
Melão de Casca de Carvalho
Mentastro
Mostarda
Nabo
Nespereira
Nigela Ordinária
Nogueira
Papoila

Pastinaga
Pepino
Pessegueiros [de várias espécies]
Pinheiro
Poejo
Rábano
Rosa Canina
Sabina
Saião Curto [cada jardineiro deve tê-lo a crescer no telhado da sua casa]
Salsa
Salva
Salva sclarea
Segurelha
Tanaceto
Tartago
Tramazeira

O Capitulare de villis ajudou grandemente a unificar as técnicas agrícolas, e promoveu uma distribuição supra-regional das plantas e do "saber como fazer" a elas associado.

A lista de plantas de Carlos Magno manteve o seu carácter canónico através de toda a Idade Média, e foi "lei" até ao século XVIII. As "plantas de Carlos Magno" eram cultivadas em todos os mosteiros implantados em regiões com clima apropriado.

Muitas plantas de raiz Mediterrânica foram introduzidas, graças ao documento, em regiões mais setentrionais da Europa Ocidental e Central, e a sua adaptação permanente a esses lugares mais frios, onde o seu cultivo era mais difícil, tornou-se uma realidade - exemplos são a Salsa, o Levístico, e o Aipo, mas também o Abrótano, que, até aos dias de hoje, sobreviveu nos campos de cultivo da Alemanha e da Inglaterra.

Outras culturas, porém, como a da Amendoeira Doce, tiveram que ser abandonadas por razões climatéricas.

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