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Especiarias - História Breve


Cortesia Vivek S. Kambli

Especiarias como a Canela, o Cardamomo, o Gengibre, etc., eram usadas há milhares de anos no Oriente, afinal o seu local de origem.

Com o desenvolvimento das trocas comerciais, cedo se tornaram um importante objecto de comércio, tendo chegado ao Médio Oriente cerca de 2000 A.C..

Alexandria já era, no tempo do Império Romano, um importante centro de comércio de especiarias vindas do Oriente. Comerciantes Árabes controlavam as rotas terrestres e marítimas que traziam as especiarias até àquela cidade egípcia.

Se Alexandria era o palco, os bastidores - por muito que se fale das misteriosas caravanas que percorriam a 'rota da seda' - eram as viagens marítimas dos Árabes através do Mar Arábico – trazendo especiarias da Índia e do Sri Lanka – ex-Ceilão – e, no Extremo Oriente, as viagens dos Chineses que asseguravam a ligação comercial com o Arquipélago Malaio e as Ilhas das Especiarias – as Molucas. O Sri Lanka era, na altura uma importante placa giratória para as especiarias.

Quando Ptolomeu XI tomou Alexandria em 80 A.C., grande parte do comércio das especiarias passou para as mão de Roma, conhecendo um significativo incremento. Alexandria tornou-se no maior centro comercial de então e no empório das especiarias vindas essencialmente da Índia.

O comércio Romano de especiarias floresceu durante três séculos, declinou depois, e reavivou-se no século V para voltar a declinar no século seguinte. Os comerciantes Árabes, abalados embora pela intromissão de Roma, não perderam o pé e mantiveram-se activos Idade Média adentro.

No fim dos anos 90 do século passado, foram encontrados, por um explorador alemão, em águas indonésias, os restos de um navio Árabe de cuja carga faziam parte objectos de cerâmica, ouro, prata, e cobre, alguns comprovadamente fundidos na China no fim do século VIII, e anis estrelado. A carga, que foi comprada pelo governo de Singapura, está a ser estudada por especialistas de todo o mundo – e estará durante gerações, tão vasta é a colecção de objectos encontrados.

No século X, a República de Veneza começou a adquiri relevância no comércio das especiarias. Ia buscá-las a Alexandria e vendia-as a distribuidores no ocidente e norte da Europa a preços exorbitantes. No século XIII já tinha o monopólio do comércio, e no século XV era uma formidável potência europeia.

Apanhados na malha comercial de Veneza, os Europeus, que conheciam a origem das especiarias que chegavam a Alexandria, decidiram construir barcos para chegarem aos países onde elas eram produzidas.

A decisão de pôr um fim ao monopólio de Veneza daria origem a uma das mais aventurosas épocas da humanidade, com várias nações a tentarem alcançar, em diversas alturas, e por rotas diferentes, as almejadas terras das especiarias.

Os Portugueses iniciaram a corrida navegando para Sul e para Oriente, e Vasco da Gama, numa primeira viagem, foi, em 1498, o primeiro europeu a chegar à Índia, contornando o Cabo da Boa Esperança. Em 1501, Pedro Álvares Cabral foi o primeiro a trazer especiarias da Índia para a Europa pelo Cabo da Boa Esperança. A posição de Portugal no comércio das especiarias viria a ser reforçada por uma segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1502, e pela acção dos dois primeiros Vice-reis do território, Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque.

Cristóvão Colombo, depois de ver recusados os seus serviços pelos portugueses, tenta, pela Espanha, em 1492, chegar às terras das especiarias navegando para Ocidente. Segue-se-lhe John Cabot, pela Inglaterra, em 1497. Ambas as tentativas se saldaram pelo insucesso.

Em 1519, Fernão de Magalhães, português ao serviço de Espanha, retoma a aventura da rota do Ocidente. Dos cinco navios com que partiu, só o Vitória voltaria a Espanha triunfante, carregando Cravinho. Fernão de Magalhães perdeu a vida na viagem.

Em 1577 seria o inglês Sir Francis Drake a empreender uma arriscada viagem de circum-navegação pelo Estreito de Magalhães, fazendo aportar a Plymouth, em 1580, o Golden Hind cheio de cravinho carregado em Ternate – hoje Indonésia.

Em 1595 foi o holandês Cornelis de Houtman a comandar uma flotilha em busca das Molucas, seguido, em 1598, pelo seu compatriota Jacob van Neck. Ambos voltaram com os navios com preciosas cargas de cravinho, noz moscada e pimenta, etc..

Mas, se o monopólio de Veneza tinha acabado, a única rota comercialmente viável para as especiarias do Oriente tornara-se, durante quase 100 anos, monopólio dos portugueses.

E as potências da Europa da altura decidiram pôr-lhe um fim.

Em 1598 forma-se a Companhia Inglesa das Índias Orientais, seguida, em 1602, pela Companhia Holandesa da Índias Orientais, e, em 1604, pela Companhia Francesa das Índias Orientais, formada com o beneplácito de Luís XIV. Todas perseguiam o comércio das especiarias do Oriente.

E, progressivamente, o objectivo de pôr fim ao monopólio português foi conseguido: no século XIX os interesses ingleses estavam firmemente implantados na Índia e no Sri Lanka – ex-Ceilão -, e a Holanda controlava a maioria da área das Índias Orientais.

No meio de tantas expedições e viagens, muitas especiarias foram sendo levadas para longe das suas terras de origem e plantadas em vários locais, numa óbvia tentativa de diversificação das fontes de abastecimento.

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