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Símbolos - Música Clássica Indiana


Cortesia Vivek S. Kambli
Tocador de Sitar
Pelo reconhecimento internacional que ganhou, a música clássica Indiana bem poderia considerar-se um símbolo do país.

Nela existem duas grandes correntes, que estão, grosso modo, geograficamente separadas por uma linha imaginária, paralela ao Equador, que passa pela cidade de Hyderabad, no Andhra Pradesh.

A sul dessa linha impera a música Karnatic, que evoluiu da música tradicional da Índia sem grandes influências externas, e tem forte presença nos estados de Tamil Nadu, Karnataka, Andhra Pradesh e Kerala; a norte reina a música Hindustani, resultado de uma mistura da música tradicional da Índia com influências Árabes e Persas trazidas pelos invasores muçulmanos que, nos séculos XII e XIII, penetraram no norte da Índia, e aí ficaram, ocupando extensões variáveis do território, durante três séculos.


Cortesia Vivek S. Kambli
Tocador de Mridanga
Ambas as correntes se baseiam no raga - estrutura melódica baseada numas quantas notas, mas aberta ao improviso -, e no tala - ritmo ou compasso -, mas diferem nos ragas e talas usados, e suas combinações, justificando as diferenças entre norte e sul.

Em ambas as correntes a improvisação tem papel central, e o compasso é acelerado progressivamente – mais no norte que no sul - até um clímax final. Genericamente, a música Karnatic dá ao canto um papel mais relevante, enquanto a música Hindustani privilegia a instrumentação.

Contrariamente à música clássica ocidental, a música clássica Indiana não é interpretada por orquestras com muitos músicos e uma grande variedade de instrumentos. Os agrupamentos musicais Indianos raramente excedem a meia dúzia de músicos, que tocam igual quantidade de instrumentos.


Cortesia Vivek S. Kambli
Tabla
Conjunto de dois tambores:
o bahina, à esquerda do músico,
com o corpo bojudo, em cobre,
raramente em barro cozido ou madeira;
o dahina, à direita, com o corpo de madeira,
em duplo ronco de cone.
Ambos têm coladas, nas peles de topo,
rodelas de pasta preta
que servem para afinação.
 

Cortesia Vivek S. Kambli
Shenhai
E, enquanto no ocidente é dada especial importância à fidelidade dos executantes à partitura, na Índia é especialmente apreciada a capacidade dos músicos para improvisarem sobre o tema base escrito pelo compositor. Os músicos envolvem-se, muitas vezes, numa improvisação competitiva, a lembrar a prática dos agrupamentos de jazz ocidentais, e, se a interpretação implicar voz, o cantor pode também improvisar livremente.

Numa peça musical clássica Indiana, o tom base é garantido por um instrumento murmurante como o tamboura; a improvisação melódica é feita com instrumentos de corda como o vina, o surbahar ou o sitar, e de sopro como o bansuri ou o shenhai; o ritmo é assegurado com instrumentos de percussão como o tabla, o pakhavaj ou o mridanga.

Clássica, ou moderna, a música tem presença obrigatória nos filmes Indianos, numa transposição para a tela da tradição teatral da Índia, em que uma peça envolve, obrigatoriamente, declamação, simbolismo, música e dança.


Cortesia Vivek S. Kambli
Tamboura

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