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Símbolos - Dança Clássica Indiana

Única pela sua origem, a música clássica Indiana é bem um símbolo do país.

Todos os estilos de dança clássica Indiana têm origem profunda no Natyashastra, escrito por Bharatamuni, primeiro texto Indiano que abordou a estética em várias formas de arte, incluindo a dança.


Cortesia Sudheer Birodkar
Hastas
Todos foram, ao princípio, rituais religiosos durante os quais os dançarinos invocavam, e homenageavam, os deuses, recriando – sem palavras - as suas vidas e feitos.Ainda hoje, muitas das peças de dança clássica Indiana começam com uma evocação de Nataraja - Shiva dançante -, e todas narram – sem palavras - uma história tirada de épicos como o Ramayana ou o Mahabharata, ou de colecções de lendas como as Panchatantra, Hitopadesha, Katha Sarit Sagara, etc..

A narração sem palavras exige, naturalmente, que os dançarinos mostrem, somente através das expressões faciais, e das posições de cabeça, pernas, pés, braços, mãos, dedos, e corpo, o que vai na alma dos personagens que incarnam. É, por exemplo, através de diferentes combinações de 13 posições da cabeça, 36 olhares, e 67 posições das mãos e dedos - hastas e mudras -, que o dançarino consegue exprimir sentimentos do seu personagem: zanga - rodha -, inveja - matsara -, ganância - lobha -, lascívia - kama -, ego - mada -, etc..


Cortesia Vivek S. Kambli
Dançarina Bharata-natya
Entre os vários estilos de dança clássica Indiana, alguns ganharam especial notoriedade. Deles ficam, abaixo, descrições sucintas.

O estilo Bharata-natya é o principal dos estilos de dança clássica Indiana. Teve berço em Tamil Nadu, e é dominante em todo o sul da Índia. Dá expressão a temas religiosos Hindus, e as suas técnicas e terminologia assentam em velhos textos como o Natyashastra.Originalmente era dançado exclusivamente por dançarinas dos templos Hindus. Só em 1930 começou a ser dançado em apresentações públicas. Uma representação típica dura duas horas, com uma estrita lista de actividades desempenhadas por uma só dançarina, que nunca abandona o palco nem muda de traje. Um agrupamento musical, incluindo um cantor, acompanha a representação, dirigido pelo professor da dançarina.


Cortesia Sudheer Birodkar
Dançarina Katakh
O estilo Katakh nasceu no Uttar Pradesh e tem influências das culturas Hindu e muçulmana, a última trazida pelos invasores muçulmanos que ocuparam o norte da Índia durante séculos. É dançado por homens e mulheres, e caracteriza-se por um intricado trabalho de pés e ritmos precisos, que os dançarinos articuladamente controlam usando as cerca de 100 campainhas que usam presas aos tornozelos.


Cortesia Vivek S. Kambli
Dançarino Katakhali
O estilo Katakhali é indígena do estado de Kerala e baseia-se nos épicos Ramayana e Mahabharata e em episódios da literatura dedicada a Shiva. A representação acontece ao ar livre e dura uma noite inteira. Nela participam só homens e rapazes, que desempenham papeis masculinos e femininos. Coros contam o episódio representado pelos dançarinos, que vestem saias completas, envergam pesadas jaquetas, usam diversos colares, ostentam altos penteados, e têm as faces maquilhadas como máscaras. Um dançarino de Katakhali é-o toda a vida.

O estilo Kuchipudi começou em Andhra Pradesh, no séulo XVII, quando Sidhyendra Yogi criou o drama dançado Bhama Kalapam, uma narração à volta de Satyabhama, bela mas ciumenta mulher de Krishna. A representação começa com a aspersão de água sagrada e a queima de incenso. Seguem-se outros rituais, e a apresentação dos personagens através de cantos que descrevem os seus papeis na representação. Todos os papeis são tradicionalmente representados por homens, e, numa homenagem a Krishna, todos os Brahmans – sacerdotes Hindus – da localidade de Kuchipudi devem, pelo menos uma vez na vida, representar o papel de Satyabhama.


Cortesia Vivek S. Kambli
IntérpreteYakshagana
O estilo Manipuri é originário do estado de Manipur. Os temas dançados narram, em geral, episódios da vida de Krishna. A representação pode integrar um narrador que recita diálogos, e coros que entoam árias. Os dançarinos, homens e mulheres, usam campainhas nos tornozelos, mas não abusam delas porque os pés são movimentados suavemente, e rente ao chão. Este estilo popularizou-se em toda a Índia em 1917, quando o poeta Rabindranath Tagore, impressionado por representações que viu, chamou professores para o ensinar na sua Universidade de Visva-Bharati, em Santiniketan, no estado de Bengala.

O estilo Orissi vem do estado de Orissa e segue de perto os princípios do Natyashastra. O uso de poses que replicam as encontradas em esculturas clássicas dos templos Hindus sugere grande antiguidade deste estilo. É, predominantemente, dançado por mulheres, que intercalam posturas sinuosas com uma variedade de elevações e saltos.

O estilo Yakshagana é típico de Karnataka. Teve origem rural, e dá corpo a épicos da literatura Hindu, como o Ramayana e o Mahabharata. A representação é enérgica e barulhenta, com um acentuado rufar de tambores garantido pela orquestra que acompanha os dançarinos. A caracterização é, como os temas, épica, compreendendo adornos diversos e obrigatórios chapéus profusamente decorados. Modernamente, os dançarinos recitam também frases em prosa, intercaladas com temas musicais tocados pela orquestra e cantados por coros.

Clássica, ou moderna, a dança tem presença obrigatória nos filmes Indianos, numa transposição para a tela da tradição teatral da Índia, em que uma peça envolve, obrigatoriamente, declamação, simbolismo, música e dança.

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