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West Bengal - Kolkata

 

Kolkata, ou Kalikata em Bengali, coloquialmente 'Banga', língua oficial do Estado de West Bengal, é a capital deste estado. Calcutá é o seu nome português. Fica na margem esquerda do rio Hooghly, um dos braços do delta do Ganges, a cerca de 150 km da Baía de Bengala.

Tem um moderno porto que se estende por cerca de 40 km das margens, e tornou-se na maior cidade da Índia, e numa das maiores do mundo.

É um dos mais importantes centros comerciais na Ásia, com largo tráfego de importações e exportações, e é, também, um pólo industrial importante. Cidade de contrastes, tem áreas amplas e saudáveis, a par com áreas sobrelotadas e menos salubres. Foi cidade adoptiva de Madre Teresa de Calcutá.

Outrora zona de localidades piscatórias, rodeada por um pouco saudável pântano, nasceu como posto comercial da Companhia das Índias Orientais fundado por um funcionário desta, de nome Job Charnock. Job chegou à Índia em 1655, foi primeiro colocado em Cossimbazar, a norte da Calcutá de hoje, depois em Patna, no Bihar, e, finalmente, em Hoogly, sobre o Rio Hoogly, em 1686. Sentindo-se aí ameaçado pelo nawab - vice-rei Moghul - da região, em 1690 deslocou-se 45 km para sul, para Sutanati, localidade que a Calcutá de hoje engoliu. Charnock foi um funcionário controverso, acusado frequentemente de má gestão, roubo, brutalidade para com os locais, chegando a estar à beira de ser demitido. Viveu com uma viúva Indiana, que salvara de ser incinerada com o marido, e dela teve vários filhos. Morreria a 10 de Janeiro de 1693.

Entre 1696 e 1702, a Companhia das Índias Orientais construiu no posto comercial, com autorização do nawab de Bengala, a primeira fortificação de Calcutá - Fort William, assim chamado em honra do Rei Guilerme III de Inglaterra. Em 1756, decidiu levantar novas fortificações destinadas a defender o local contra potências rivais da Inglaterra, numa antecipação do que viria a ser a Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763). Intimada pelo nawab Siraj-ud-Dawlah a parar com as obras, recusou. As consequências não se fizeram esperar: o nawab atacou e capturou Fort William. No rescaldo da refrega ocorreu, em 20 de Junho de 1756, um episódio que ficou para a história com o nome de Buraco Negro de Calcutá. Após a rendição do que restava da gurnição inglesa, comandada por John Z. Holwell, o nawab mandou encarcerar cerca de 64 ingleses numa sala destinada pela Companhia a prisão de criminosos menores, popularmente chamada Black Hole. A sala tinha 5,5 x 5,5 m e duas pequenas janelas. A falta de condições de salubridade provocou a morte a cerca de 43 dos detidos, mais tarde invocados em memoriais erigidos no cemitério da Igreja de S. João, construída na cidade em 1787. Aproveitado pelos ingleses, na altura, para realçar a crueldade de métodos do nawab, o episódio foi posteriormente investigado por J. H. Little, em 1915, ficando claro que a conduta do nawab foi sobretudo negligente. Também foram cometidos exageros nos números ingleses da altura, que apontavam para 146 encarcerados e 23 sobreviventes, enquanto que, como demonstrou Brijen Gupta em 1959, os números verdadeiros correspondentes são cerca de 64 e 21.

A notícia da queda de Fort William chegou a Madras, outro importante posto comercial da Companhia das Índias Orientais, em Agosto de 1756, e daí partiu, em Outubro do mesmo ano, uma expedição libertadora comandada por Robert Clive. Clive, que havia sido um jovem problemático, chegara a Madras, como militar ao serviço da Companhia das Índias Orientais, em 1743. Com 900 europeus e 1500 Indianos, marchou sobre Calcutá e forçou o nawab a restabelecer os privilégios da Companhia, a pagar uma indemnização, e a permitir a construção de fortificações. Mais, determinado a tirar partido do descontentamento local com o nawab, resolveu patrocinar um novo dirigente que garantisse um melhor ambiente para a Companhia. Escolheu Mir Ja'far, um antigo secretário dissidente do nawab, e depôs este após derrotá-lo na Batalha de Plassey, em Junho de 1757. Ficando praticamente senhor de Bengala, fez demolir Fort William e mandou construir outro forte, mais a sul, com o mesmo nome, que ficaria completo em 1773 e ainda hoje existe. Em 1757 mandou fazer em Dum, a 7 km do centro de Calcutá, uma mansão ao estilo das que, no século XVIII, abundavam nos condados de Inglaterra, mas incorporando elementos arquitecturais Indianos. Ricamente decorada, numa demonstração de poder e fortuna, tinha uma guarnição de 175 criados, cozinheiros, jardineiros, etc.. Ainda hoje lá está, embora bastante degradada pelo tempo. Clive voltaria a Inglaterra em 1760, onde lhe seriam atribuídos, em 1762, o título de 1º Barão Clive de Plassey, e, em 1764, o grau de Cavaleiro do Reino. Embora manchado por fumos de corrupção durante o seu mandato, regressaria à Índia em 3 de Maio de 1765, para consolidar o poder inglês em Bengala. Fê-lo até 1767, regressando depois a Inglaterra, onde faleceria a 22 de Novembro de 1774.

Enquanto a história se fazia, Calcutá foi crescendo a partir do original Fort William, e viria a tornar-se capital da Índia Britânica entre 1772 e 1912. Hoje, como acima se disse, é a maior cidade da Índia. Segundo uns, o seu nome resultará da agregação dos termos Bengalis kali - cal - e kata - concha queimada -, sendo que a região, no passado, era conhecida pela produção de cal a partir de conchas. Todavia, a opinião não colhe unanimidade entre os especialistas.

Imagem de Durga, deusa central do cerimonial Durga Puja, celebrado em Calcutá integrado no festival Navaratri
Cortesia Sudheer Birodkar

Imagem de Durga, deusa central do cerimonial Durga Puja, celebrado em Calcutá integrado no festival Navaratri

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