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Goa - Velha Goa

 

A antiga cidade de Velha Goa, no Estado de Goa, terá tido como nome original Gove, ou Govapuri. Foi também a Sindabur, ou Sandabur, dos geógrafos árabes medievos.

Inserida num território intensamente disputado, esteve nas mãos da dinastia Kadamba entre o séc. II e 1312, e foi ocupada por invasores muçulmanos do Decão entre 1312 e 1367. Depois. foi anexada pelo reino Hindu de Vijayanagar e, em 1440, ocupada pelos muçulmanos Sultões de Bahmani.Com a desagregação do sultanato, em 1482, a cidade passou para as mãos de Yusuf 'Adil Khan, rei muçulmano de Bijapur.

Era Yusuf 'Adil Khan o soberano quando Vasco da Gama esteve na Ilha de Angediva, em 1499, e foi ele que defrontou Afonso de Albuquerque quando este atacou Velha Goa, primeiro em Março, depois em Novembro, de 1510.

Conquistada à segunda tentativa, Velha Goa passaria a ser a capital colonial portuguesa do Oriente. Foi-lhe dado estatuto cívico igual ao de Lisboa, e, potenciada pelo comércio das especiarias, cresceu e embelezou-se. Atingiu fama internacional entre 1575 e 1600, época em que era conhecida por Goa Dourada.

O seu declínio começou com a subida ao trono dos reis espanhóis em Portugal, em 1580, e acentuou-se com a chegada às costas da Índia dos holandeses que, por duas vezes, em 1603 e 1639, tentaram, sem sucesso, dominá-la com bloqueios marítimos.

Depois, foi a vez dos Marathas, lutadores contra a ocupação estrangeira da Índia, que por duas vezes a atacaram, em 1683 e 1739. Salvou-se da primeira vez com a ajuda de um exército Moghul, e da segunda com a chegada de um novo vice-rei português a bordo de uma poderosa esquadra.

Sucessivas epidemias de cólera determinaram o seu progressivo abandono, com passagem da capital primeiro para Marmagao (Mormugão) , e depois, em 1759, para Panaji (Panjim, ou Nova Goa).

Entre 1695 e 1775 a população de Velha Goa caiu de 20.000 para 1.600 habitantes, e, em 1835, já praticamente só os edifícios religiosos erguidos pelos portugueses estavam habitados. Em paralelo, a população de Panaji sofreu evolução inversa.


Cortesia Galen Frysinger
 
Túmulo de São Francisco Xavier
Velha Goa, enquanto capital colonial portuguesa do Oriente, serviu à realeza de Portugal e ao Vaticano, almas gémeas à altura, como ponte para penetração do catolicismo em terras asiáticas.
A pedido de D. João III, rei português entre 1521 e 1557, o jesuíta Francisco Xavier partiu de Roma para Portugal em 15 de Março de 1540, e depois viajou para a Índia em missão evangelizadora, tendo chegado a Velha Goa em 6 de Maio 1542.
Permaneceu três anos na Índia, em trabalho de evangelização, e foi depois para o Arquipélago Malaio. Regressou a Velha Goa em 1548, para, a seguir, rumar mais para oriente, à China e ao Japão.
Faleceu na China, na Ilha de Sancian, em 1552.
Os seus restos mortais foram, dois meses e meio depois, trasladados para Malaca, e, em Dezembro de 1553, de Malaca para Velha Goa, onde chegaram a 15 de Março de 1554. Inicialmente depositados no Colégio de São Paulo, transitaram depois para um anexo da Igreja do Bom Jesus.
Em 1624 – dois anos depois da canonização de Francisco Xavier - foram levados para a Capela de São Francisco de Borja, na Igreja do Bom Jesus, onde ficaram a repousar num sarcófago de prata muito simples.
Em 1637, os restos imortais foram mudados para novo sarcófago de prata, este uma magnífica peça de arte indo-europeia trabalhada por artistas de Velha Goa. Nele, em trinta e duas placas de prata, estão representados outros tantos episódios da vida de Francisco de Assis.
Em 1659, os restos mortais voltaram a ser trasladados, desta vez para a sua definitiva morada, uma capela da mesma igreja, oposta àquela onde haviam estado.
Em 13 de Setembro de 1698 chegou a Velha Goa um rico mausoléu de mármore italiana oferecido por Cosimo III, Grão-duque da Toscânia, destinado a embelezar a última morada de Francisco Xavier. Feito por Giovanni Battista Foggini, famoso artista italiano da época, foi colocado no lugar por Placido Francesco Ramponi, enviado especial do Grão-duque para o efeito. Terminado o trabalho em 8 de Novembro de 1698, sobre o mausoléu foi colocado o sarcófago com os restos mortais.
Resta dizer que da actividade de evangelização ficou um rasto de conversões forçadas, de destruição de alguns templos Hindus, e de segregação, mesmo de Indianos convertidos – exemplo é a migração forçada, no séc. XVI, de famílias cristãs Goesas para Mangalore, no Karnataka, onde ainda hoje existe uma comunidade cristã que fala Concani, a língua mãe de Goa.

Gaya
Cortesia Galen Frysinger

Igreja católica numa rua de velha Goa

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