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História - Os Muçulmanos

A partir do ano 715 D.C. a Índia sofreu sucessivas investidas muçulmanas, que culminariam com a quase total ocupação do território em 1328. Abaixo fica uma breve cronologia dos factos.

Em 650 D.C., os árabes desalojaram, pela força, a dinastia persa Sasan, que reinava sobre o Irão e o Afeganistão Ocidental, formado pelas províncias de Heart e Kandahar. O povo local, devoto de Zoroastro, foi obrigado a renegar a sua religião e a abraçar o Islão.

Os sobreviventes da dinastia Sasan refugiaram-se na vizinha província Indiana de Sindh – hoje no Paquistão -, e daí começaram a conspirar para derrubar o poder árabe. Esta circunstância justificou o primeiro ataque muçulmano à Índia, em 715 D.C..
Os invasores eram árabes comandados por Mohammad Bin Qasim, que conquistaram Sindh, expulsando o rei Hindu da altura, Raja Dabi, da capital Deval, perto da moderna Karachi.
Seguidamente, os invasores lançaram-se sobre o Reino de Mulasthana – hoje Multan, no Paquistão – e tentaram atacar, sem resultado, Malwa – hoje parte de Madhya Pradesh e do Rajasthan.

Durante os 300 anos seguintes, todas as investidas árabes feitas a partir de Sindh foram rechaçadas pelos fortes reinos Hindus da Índia Central.

No norte, frente ao Afeganistão Ocidental, já muçulmano, estava o reino Hindu do Afeganistão Oriental, composto por duas províncias: Kapisa, a ocidente da cordilheira do Hindu Kush, e, a oriente desta, o Punjab Ocidental – hoje no Paquistão.
Este reino coincidia territorialmente com o reino de Ambhi, existente quando Alexandre o Grande invadiu a região em 330 A.C.. De recordar, ainda, que o termo Afeganistão vem de Upa-Gana-stan que, em Sânscrito, quer dizer 'o local habitado por tribos aliadas'. Ainda hoje o Afeganistão é um país tribal.

Em 980 D.C., o Afeganistão Ocidental era governado, a partir de Ghazni, por um muçulmano chamado Sabuktagin, e o Afeganistão Oriental era conduzido, a partir de Kubha – actual Kabul -, pelo rei Hindu Raja Jaya Pal Shahi.
Sabuktagin decidiu atacar o reino vizinho e empurrou as forças de Raja Jaya Pal Shahi para lá do Hindu Kush. No local onde, em Kabul, se erguia um templo Hindu foi construída uma mesquita.
Reorganizando-se, Raja Jaya Pal Shahi estabeleceu uma nova capital em Udbhandapura – hoje Und, no Paquistão - , que viria a ser conquistada por Mahmud Ghazni, filho de Sabuktagin. A ele se deve o nome Hindu Kush – literalmente ‘matador de Hindus’, tantos foram os Hindus que pereceram ao atravessar a cordilheira a caminho do cativeiro.
Perdida Und, nova capital foi estabelecida em Lahore – hoje no Paquistão. Aí, Anand Pal Shahi, filho de Raja Jaya Pal Shahi, foi derrotado por Mahmud Ghazni.
Retirando, Anand Pal Shahi estabeleceu nova capital em Kangra – hoje no Himachal Pradesh.
O seu sucessor, Tirlochan Pal Shahi, continuou a lutar a partir de Kangra, mas acabou por ser assassinado à traição fora do campo de batalha.

Estava-se em 1020, e os muçulmanos consolidavam, assim, a conquista de todo o Afeganistão Oriental.

A terceira vaga invasora muçulmana começou, em 1191, com Mahmud Shabuddin Ghori, que se lançou sobre o reino Hindu com capital em Pithoragarh – hoje Delhi -, governado pelo rei Prithviraj Chouhan. O reino ocupava um vasto território que incluía a parte oriental do actual Punjab, e os actuais Rajasthan e Gujarat.
Shabuddin Ghori começou por atacar a fortaleza de Bhatinda, no Punjab, mas foi atraído a Taraori – perto da hoje Kurukshetra, no Haryana -, pelas tropas Hindus, que marchavam em socorro da fortaleza cercada. Derrotado, foi feito prisioneiro.
Cavalheirescamente, Prithviraj Chouhan, contra a opinião dos seus ministros, mas honrando a tradição tolerante Hindu, libertou-o.
Em retribuição, Shabuddin Ghori voltou no ano seguinte à frente de um exército mais poderoso, venceu Prithviraj Chouhan, fê-lo prisioneiro e puniu-o com a cegueira. O rei vencido viria a suportar um longo, e humilhante, cativeiro na corte do invasor.
A invasão prosseguiu pelo norte da Índia, até 1255, com os sucessores de Shabuddin Ghori. Foram conquistados territórios correspondentes aos actuais Uttar Pradesh, Bihar e Bengala.
A invasão só foi detida em Orissa, onde o rei Hindu Narasimha Deva bateu as tropas muçulmanas comandadas por Tugan Khan. Para comemorar a vitória, Narasimha Deva mandou erigir o Templo do Sol, em Konark.

Nova vaga invasora foi lançada a partir de Delhi, entre 1310 e 1328, comandada por Malik Kafur.
Como consequência, sucumbiram os reinos Hindus de Yadava, que dominava Maharashtra, de Kakatiya, que controlava Andhra Pradesh, de Hoysala, que era senhor de Karnataka, e Pandya, que governava Tamil Nadu.
No fim, só Orissa e Assam eram livres.

Os territórios ocupados mais a norte foram governados por sucessivas dinastias muçulmanas instaladas em Delhi.
A primeira foi fundada por Kutub-ud-din Aibak, um ex-escravo de Mahmud Ghori, que este fizera, em 1195, administrador dos territórios ocupados. Falecido Mahmud Ghori, em 1202, Kutub-ud-din Aibak fez-se rei, em 1206, e iniciou a chamada Dinastia do Escravo, numa alusão ao seu passado.
Seguiram-se, até 1527, as dinastias Sayyed, Khilji, Tughlak, e Lodi.
O ultimo dos Lodi, Ibrahim Lodi, foi derrotado e morto por Babur, o fundador do Império Moghul.

Mais a sul pontificaram dois sultanatos: um com capital em Bijapur - em Karnataka -, com a dinastia Adil Shahi (1489-1686), que viria a sucumbir quando foi conquistado, em 1686, pelo Imperador Moghul Aurangzeb; outro com capital em Golconda - em Andhra Pradesh -, com a dinastia Qutb Shahi (1518 - 1687), que acabou anexado, em 1687, pelo mesmo Imperador. Em 1510, o sultanato de Bijapur havia perdido Goa para os portugueses.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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