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História - A Civilização do Indus

A Civilização do Indus foi uma civilização urbana, mas essencialmente baseada na actividade agrícola, que floresceu no vale do Rio Indus, centrada nas duas importantes cidades de Harappa e Mohenjo-daro, ambas hoje em território do Paquistão.

Todavia, a sua influência foi bem mais abrangente, estendendo-se, grosso modo, 500 – 800 km para cada lado de um eixo traçado entre as modernas Lahore e Karachi. Sendo certo que esta zona de influência se situa hoje maioritariamente no Paquistão, para leste ela vai até à actual Delhi. De qualquer forma, importa não esquecer que o Paquistão foi território Indiano até 1947, altura em que os dois países se separaram, na sequência da independência da Índia.

Esta civilização foi o culminar de um processo endógeno local, muito semelhante ao acontecido na Mesopotâmia. Teve uma época áurea entre cerca de 2500 A.C. e 1700 A.C., sendo os historiadores unânimes em verem nela as raízes da cultura da Índia actual.

Razões para isso são: as formas dos 250 – 500 caracteres que compunham a escrita – identificados como provavelmente dravidianos; a atenção dada às instalações sanitárias e aos esgotos; o Grande Banho de Mohenjo-daro; as formas dos carros de bois, e barcos, até hoje pouco alteradas; a preferência por braceletes e adornos do nariz; os significados atribuídos ao boi, ao tigre, ao elefante, e aos animais compostos; objectos semelhantes ao posterior falo simbolizador de Shiva.

O fim da Civilização do Indus só pode ser objecto de conjecturas, mas os historiadores, na sua maioria, atribuem-no às invasões dos Arianos, convicção suportada pelo Rigveda por eles escrito, onde existem menções a ataques a ‘cidades muralhadas’ e ‘cidadelas’ dos locais, e ao deus da guerra Ariano, Indra, ‘arrasando fortalezas como a idade destrói uma vestimenta’.

Harappa foi uma cidade situada na margem esquerda do rio Ravi, hoje seco, a oés-sudoeste da localidade de Sahiwal, no leste do Paquistão.
Tem vindo a ser posta a descoberto por escavações, que foram iniciadas, em 1921, pelo arqueólogo inglês Sir John Marshall.
Sabe-se hoje que era defendida por uma cidadela dotada de bastiões, feita de tijolo burro de lama, e posicionada numa elevação. Tinha bairros em quadrícula e instalações de processamento e armazenagem de cereais, totalizando as últimas 840 m2 de área coberta.


Cortesia Sudheer Birodkar

O Grande Banho de Mohenjo-daro

Mohenjo-daro foi a maior cidade da Civilização do Indus, situada na margem direita do Indus, mas hoje a cerca de 3 km dele. Tem vindo a ser progressivamente revelada por escavações que começaram em 1922.
Parece ter sido ter sido protegida por diques artificiais, que todavia a não pouparam a severas, e prolongadas, inundações.
A parte alta, elevada artificialmente à custa de lama e tijolo, incluía o Grande Banho, uma área residencial, um enorme celeiro, dois edifícios para assembleias, e era defendida por torreões feitos de tijolo burro de lama.
Na parte baixa ficava a zona residencial, com casas que sugerem a existência de uma classe abastada. Estavam equipadas com casas de banho dotadas de esgoto, e escadas que fazem supor ter existido um andar superior.
Os escassos objectos arqueológicos achados são de uma arte vigorosa e, por vezes, requintada.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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