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História - A Independência

Depois da 2ª Grande Guerra, com a perda, pelos Ingleses, de Singapura e da Birmânia - hoje Myanmar -, o fim do Império Britânico tornou-se inevitável.

Na Índia, contestado por várias forças, e de várias formas, o poder Britânico foi progressivamente empurrado para uma transferência de poder para a nação Indiana.

O processo acelerou-se a partir 1945, ano em que o Partido Trabalhista ganhou o poder em Inglaterra.

Eleições feitas, no Inverno de 1945-46, na Índia, deram ao Congresso Nacional Indiano a maioria dos lugares na Assembleia Legislativa Central, mas também entregaram à Liga Muçulmana todos os 30 lugares destinados a Muçulmanos, mais a maioria dos lugares provinciais reservados.

Tendo embora o Congresso conseguido a maioria dos lugares, a composição da Assembleia negava-lhe a capacidade para falar em nome de todo o povo da Índia Britânica.

Rapidamente os ingleses reagiram com um plano que previa uma federação tripartida, com um governo central cuja jurisdição se limitava à política externa, à defesa, às comunicações, e às finanças que envolvessem a federação.

Os três blocos federados teriam a seguinte composição:

  • Bloco 1: as províncias de maioria Hindu, agrupando, praticamente, o que viria a ser a Índia independente um ano depois;
  • Bloco 2 : as províncias maioritariamente muçulmanas, juntando o que, na prática, viria a ser o Paquistão a seguir à independência;
  • Bloco 3 – as províncias de Bengala, de maioria muçulmana, e Assam, de maioria Hindu, de onde sairia o Paquistão Oriental pós independência, feito à custa de parte de Bengala.

A pior contradição acontecia no Punjab, onde a comunidade Sikh tinha sido firme opositora do muçulmano Império Moghul depois de este começar a perseguir os Gurus seus lideres.

O partido Sikh Akali Dal, sob a direcção de Tara Singh, pedira, em 1942, um Azad Punjab – Punjab Livre -, e viria a exigir, em 1946, um estado Sikh chamado Sikhistan – Terra dos Sikhs – ou Khalistan – Terra dos Puros.

Resta dizer que era Sikh a maioria dos oficiais de origem Indiana do exército britânico, e que muitos Sikhs incorporados tinham tido comportamento heróico – daí esperarem alguma gratidão dos ingleses. Paralelamente, enquanto opositores da presença inglesa a partir da 1ª Guerra Mundial, e embora fossem uma percentagem diminuta da população da Índia, os Sikhs tinham no activo o maior número de mortos pela causa nacionalista.

No Verão de 1946, passando ao lado da causa separatista Sikh, os ingleses conseguiram obter a anuência do Congresso Nacional Indiano, e da Liga Muçulmana, para o seu plano.

Sol de pouca dura, porque desentendimentos entre as duas organizações determinaram que a segunda exigisse uma Nação Muçulmana, e passasse à acção directa em meados de Agosto.

Começava um sangrenta confrontação entre Hindus e muçulmanos que, com princípio em Calcutá, rapidamente se espalhou por todo o território.

Lord Montbatten, nomeado Vice-rei da Índia em Março de 1946, tinha orientação superior para – a situação queimava – transferir o poder para alguém responsável até Junho de 1948, o mais tardar.

Alarmado com a situação explosiva no terreno, decidiu não esperar e optou pela repartição do território entre Hindus e Muçulmanos. Para acomodar as diferenças no Punjab e em Bengala, resolveu dividi-los literalmente ao meio.

Dos lideres Hindus, só Mahatma Ghandi rejeitou a partilha e encorajou Mountbatten a oferecer ao líder da Liga Muçulmana a presidência de uma Índia unida.

A contrariá-lo, Nheru e Vallabhbhai Patel, o mais influente deputado do Congresso Nacional Indiano.

O Parlamento inglês aprovou a partilha do território, ordenando a marcação dos domínios da Índia e do Paquistão à meia-noite de 14 para 15 de Agosto de 1947, e a divisão dos bens do Império da Índia, incluindo forças armadas terrestres, aéreas, e navais, no mês subsequente.

As fronteiras nos divididos Punjab e Bengala foram ‘desenhadas’ para tentar separar maiorias, deixando superioridade muçulmana no ocidente do Punjab e no leste de Bengala.

Conhecidas as fronteiras, 10 milhões de Hindus, Sikhs e Muçulmanos fugiram dos locais onde viviam para buscar abrigo no outro lado das fronteiras. Durante a gigantesca migração pereceram cerca de 1 milhão de pessoas, em confrontos locais. Uma hecatombe até então nunca vista em situações similares.

Os ignorados Sikhs que sobreviveram optaram pelo Punjab Indiano.

No fim ficaram: o Paquistão - mais um enclave muçulmano, no estado de Bengala, o Paquistão Oriental -, governado por A. M. Jinnah; a Índia, governada por Nheru.

No pós-independência, a Índia fez diversos rearranjos internos dos territórios estaduais, e recuperou as posições que Portugal e França ainda detinham no território.

Progressivamente, a animosidade indo-paquistanesa serenou, embora com a esporádica eclosão de guerras.

A terceira guerra entre a Índia e o Paquistão, em 1971, terminou com a independência do Paquistão Oriental, sob o nome de Bangladesh, e, a partir daí, o principal problema não resolvido, decorrente da partilha, tornou-se o futuro de Kashmir.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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