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História - Os Impérios Hindus

Na Índia antiga floresceram alguns grandes Impérios Hindus.

Um dos primeiros foi o dos Mauryas (321 - 185 A.C.), cujo fundador, Chandragupta (321- 297 A.C.), conheceu Alexandre o Grande e teve a seu lado Chanakya.
O mais importante dos Mauryas foi Ashoka (265 - 238 A.C.), que se converteu à doutrina de Buda, e enviou inúmeras missões a Ceilão - hoje Sri Lanka -, Birmânia, e Extremo Oriente.
A Capital Maurya era Pataliputra, nas margens do Ganges - perto da actual Patna, capital do Bhiar.
Após Ashoka, o Império começou a enfraquecer e a perder território. O último dos Mauryas seria o neto de Ashoka, Brihadratha, que foi assassinado pelo seu general Pushyamitra Sunga.

Pushyamitra deu início à dinastia Sunga, que continuou a governar a partir dePataliputra durante cerca de dez anos.
Sucedeu-lhe a dinastia Kanva. Nunca, porém, o esplendor dos Mauryas viria a ser restaurado.

Seguiu-se um período em que norte da Índia caiu sob o domínio de vários poderes.

Primeiro os Kushanas, oriundos de Sinkiang, no leste da China. O Império Kushana tinha capital em Sakala - hoje Sialkot, no Paquistão -, durou entre o século I A.C. e o século I D.C., e estendeu-se de Smara-Kansa – hoje Samarkand, no Uzbequistão - a Mathura – no ocidente de Uttar Pradesh.
O mais notável Imperador Kushana foi Kanishka, que mandou construir as imponentes Boddhisattavas – estátuas de Buda – em Bamiyan, no actual Afeganistão. Estas estátuas, com 45 metros de altura foram recente, e parcialmente, destruídas pelos fundamentalistas Talibãs.
Vindos como invasores, os Kushanas acabariam por se fixar na Índia e ser absorvidos pela sociedade Indiana. Abraçaram, e patrocinaram, o Budismo.

Contemporâneos dos Kushanas foram os Satavahanas, que governaram um território que ia de Pataliputra, nas margens do Ganges - perto da actual Patna, capital do Bhiar – a Vengi – em Andhra Pradesh. Os Satavahanas eram Hindus, e mandaram construir inúmeros templos num estilo arquitectónico chamado Hemadpanthi.
O mais notável dos Satavahanas foi Gotamiputra Satakarni.

Os Shakas chegaram à Índia como invasores, procedentes do sudoeste do Irão. Governaram uma boa parte da Índia, - incluindo o Gujarat -, Sindh e o Baloquistão – hoje no Paquistão -, mais o Siestão – hoje no Irão.
Assimilados pela sociedade local, patrocinaram o Hinduismo, sendo o seu mais notável soberano Rudradaman, que escrevia poesia em Sânscrito.

Viria, depois, a idade de ouro da Índia antiga, com o Império Gupta, entre 320 e 510 D.C.
A dinastia Gupta foi fundada por Chandragupta – o nome ser igual ao do fundador da dinastia Maurya é pura coincidência -, mas seria Samudragupta, seu filho, a estender o Império a todo o vale do Ganges.
Inscrições em moedas de ouro que mandou cunhar, e feitas no pilar que Ashoka erigiu no forte de Allahabad – em Uttar Pradesh -, mostram que Samudragupta seria especialmente devoto do deus Hindu Vishnu.
O mais ilustre Gupta foi Vikramaditya, que sucedeu a Samudragupta. Mudou a capital de Pataliputra para Ujjaini – hoje Ujjain, em Madhya Pradesh -, e na sua corte tiveram lugar notáveis como o dramaturgo Kalidas e o astrónomo Varaha-mihira. Kalidas foi o Shakespeare Indiano. Escreveu a famosa peça Sakuntala que, séculos mais tarde, foi traduzida para inglês, e influenciou grandemente o poeta alemão Goethe.
O Império Gupta viria a enfraquecer, abrindo a porta para invasores Hunas – Hunos - ou Sweta Hunas – Hunos Brancos – que atacaram o Irão, e depois a Índia, no século V D.C.. O Imperador Gupta Narendragupta deteve a invasão inicial dos Hunos, comandados por Toramana. Mas, nova invasão, comandada por Mihirakula, filho de Toramana, viria a devastar o norte da Índia.
O Rei de Kannauj – no actual Uttar Pradesh –, Yashovarman, travou o avanço Huno e, cansado da barbárie dos invasores, uniu as suas forças com as do Imperador Gupta Baladitya. Esta aliança pan-indiana derrotou Mihirakula, que foi feito prisioneiro. Honrando as tradições tolerantes da cultura Hindu, Baladitya perdoou Mihirakula, limitando-se a bani-lo do território da Índia.
Mihirakula regressaria à frente de nova invasão, mas seria derrotado, e morto, pelo Rei Yashovarman. Falecido este, o norte da Índia ficou à mercê dos Hunos.

O último Império Indiano setentrional seria o do Imperador Harsha Vardhana, que expulsou os Hunos do país e construiu um Império que ocupava a maior parte do norte da Índia. O seu avanço para sul do rio Narmada foi bloqueado por Pulikeshin, soberano da dinastia Chalukya, que dominava a Índia Central.
Harsha, que reinou entre 606 e 644 D.C., tinha uma corte móvel cujo esplendor está descrito no Harsha Charita, escrito por Bana-Bhatta. Embora a capital oficial fosse Staneshwara - hoje Thanesar, no Haryana -, o Imperador governava, alternativamente, a partir de Kanyakubja – hoje Kannauj, no actual Uttar Pradesh –, e deslocava-se constantemente no território do Império, controlando assim possíveis rebeliões.
Harsha abraçou o Budismo, e ficou célebre a visita que lhe fez o monge Budista chinês Huen Tsang que, aliás, deixou notáveis descrições do Imperador e da sua corte itinerante.

No sul da Índia, em Cholamandalam – hoje Tamil Nadu -, floresceu o Império Chola, entre os século IX e X D.C..
Rajaraja Chola e Rajendra Chola foram os dois mais famosos soberanos da dinastia.
Com Rajendra Chola fizeram-se viagens oceânicas que reforçaram as influências da Índia na Indonésia e noutros países do Sueste Asiático. Dizemos reforçaram porque a influência da Índia já lá estava, pela mão dos soberanos do reino Srivijaya, que teve origem em Palembang, em Sumatra, e, entre os séculos VII e XI , dominou o Estreito de Malaca, boa parte da actual Indonésia, a Malásia de hoje, e também Singapura. Vestígios bem evidentes são os nomes Cambodja - Kambhoja em Sânscrito -; Singapura - tirado do Sânscrito Simha Pura, significando 'cidade do leão' -; Java - derivado do Sânscrito Yava Dwipa, significando 'ilha do creal'. Aderentes ao budismo, os Srivijayas chegaram a patrocinar mosteiros em Nagapatam, na Índia. Seriam aliás os Cholas a determinar o princípio do fim do reino, quando o atacaram, por nele verem um obstáculo ao comércio que pretendiam exercer naquelas paragens.

Simultaneamente, em Kerala, impunha-se o Império Chera, também empreendedor de navegações diversas, que levaram súbditos do Império até ao arquipélago de Lakshadweep e Maledweep – Ilhas Maldivas – e, pensa-se, até Socotra, na Arábia Saudita, cujo nome derivará do Sânscrito Sukhadhara – ‘corrente de alegria’.

Dinastias também importantes na Índia antiga foram os Pallavas, os Chalukyas, os Rashtrakutas, os Senas, os Paramaras, os Pandyas , os Yadavas, os Hoysalas, e os Kakatiyas.

Os Pallavas governaram entre 500 e 880, a partir de Kanchipuram - em Tamil Nadu -, chegando a dominar boa parte do sul da Índia.

Os Chaulkyas govenaram a partir de Badami – no Karnataka – entre 543 to 757, e, novamente, entre 975 e 1189, e de Vengi – no Andhra Pradesh – entre 624 e 1070.

Os Rashtrakutas governaram a partir de Lattaluru - moderna Latur, no Maharashtra –, entre 755 e 975, um território que englobava parte dos actuais Karnataka e Gujarat, e a totalidade de Maharashtra. Patrocinaram a construção, perto de da actual Aurangabad, dos 34 famosos Templos Ellora, esculpidos na rocha, e as pinturas das Caves Ajanta.

Os Senas governaram um território composto pelos actuais Bengala Ocidental e Bangladesh, nos séculos XI e XII. Lakshmansena foi o ultimo soberano da dinastia.

Os Paramaras governaram de Bhojpur – no Madhya Pradesh, sendo Bhoja o mais ilustre soberano da dinastia. Fundou Bhojpur, cujo nome tem origem no seu, e resistiu à tentativa de invasão árabe/muçulmana, da província de Malwa – hoje parte de Madhya Pradesh e do Rajasthan -, no século VIII.

Os Pandyas governaram Tamil Nadu nos séculos XII e XIII. Deixaram a sua influência no nome Puducherry, ou Pondicherry, derivado de Pandya Sherry.

Os Yadavas reinaram nos séculos XII e XIII, com capital em Devagiri – hoje Daulatabad, no Maharashtra. Ram Dev Rai Yadava foi o ultimo soberano da dinastia.

Os Hoysalas governaram com capital em Halebid – no sul de Karnataka -, entre 1006 e 1346, tendo sido Veera Ballala o último soberano.

Os Kakatiyas governaram a partir de Warangal – em Andhra Pradesh -, nos séculos XII e XIII.

As últimas três dinastias sucumbiram a lutar contra os invasores muçulmanos, nos séculos XIII e XIV.

Todos os soberanos Hindus deixaram espalhados pela Índia magnificentes templos, de que são exemplos o Templo Jambukesvara, em Tiruchchirappalli, e o Templo de Shiva, em Chidambaram, ambos no estado de Tamil Nadu. As suas gopuras ou gopurams - entradas - são soberbas obras de arte.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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