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História - Os Europeus

O que primeiro atraiu os Europeus à Índia foram as especiarias.

Elas gozavam, no mundo de então, de extrema importância como agentes conservantes, como componentes de poções amorosas e preparações medicinais, e como condimentos de comidas e bebidas. Além disso, a Igreja Católica queimava quantidades impressionantes de Incenso, nas suas cerimónias.

O caminho terrestre para oriente estava barrado pelo bloco muçulmano, o que viria a determinar a ruína das Repúblicas Italianas, como Veneza, dedicadas ao comércio das especiarias.

Perseverante, Portugal encontrou o caminho marítimo para a Índia, à volta do Cabo da Boa Esperança. Após uma viagem aventurosa, de quase um ano, Vasco da Gama, a um domingo, 20 de Maio de 1498, ancorou no porto de Calicut, no actual estado de Kerala, no sul da Índia.

Rezam as crónicas que, à pergunta do estupefacto soberano aí reinante - "Ao que vens ?" -, terá respondido: - "Cristãos e Especiarias".

Posteriormente, os Portugueses conquistaram Goa, e, durante alguns séculos, a Goa Dourada, com as suas igrejas profusamente adornadas de ouro e prata, tornou-se uma das maravilhas do mundo.

Como corolário da resposta dada por Vasco da Gama ao rei local, a história está repleta de conversões forçadas, em massa, dos locais ao cristianismo.

Mais tarde, Portugal viria a perder o domínio dos mares, começando os seus territórios ultramarinos a serem cobiçados por companhias mercantis francesas, holandesas e inglesas.

Progressivamente, os Portugueses foram afastados do comércio das especiarias, mas a sua presença na Índia continuou, ao arrepio dos ventos da História, até 1961, ano em que o exército Indiano pôs fim ao que restava da ocupação Portuguesa: Goa, Dadra e Nagar Haveli, Damão e a ilha de Diu.

Os ingleses chegaram à Índia através da sua Companhia das Índias Orientais. Começando por garantir alguns direitos comerciais a partir da segunda década de 1600, ela viria a ser a 'dona' da Índia entre 1760 e 1858, não obstante os outros poderes presentes no território.

A Companhia das Índias Orientais holandesa, de seu nome Vereenigde Oost-Indische Compagnie, formou-se em 1602. O Governo Holandês deu-lhe o monopólio do comércio nas águas que iam do Cabo da Boa Esperança ao Estreito de Magalhães, com direito a fazer tratados com soberanos locais, construir fortalezas, e ter forças armadas. Deu-lhe, também, a capacidade de desempenhar tarefas administrativas através de representantes ajuramentados perante o Governo.

Embora tenha atacado posições europeias na Índia, nunca se fixou no território. O seu objectivo principal eram as Índias Orientais Holandesas, hoje a Indonésia. Seria confiscada pela coroa holandesa em 1799.

A Companhia das Índias Orientais francesa baptizada Compagnie Française des Indes Orientales foi fundada em 1664, com patrocínio directo do rei Luis XIV.

Em 1668, a Companhia estabeleceu um primeiro entreposto comercial em Surat no Gujarat. Depois, em 1673, fundou um segundo, em Chandarnagar - em Bengala. Em 1674, transformou Pondicherry num centro de trocas comerciais, depois de a comprar ao soberano local.

Todavia, o pouco êxito comercial da Companhia, fá-la ser absorvida, em 1719, pela então recente Compagnie des Indes. Assolada por problemas financeiros, esta viria a ser reorganizada, em 1720, com o nome Compagnie Française des Indes.

Com a nova Companhia, os franceses fixaram-se, em 1724, em Mahé, no Malabar, e, depois, em dois enclaves de Pondicherry: Yanam, em 1731, e Karaikal, em 1739.

Em 1740, o valor do comércio francês com a Índia era metade do conseguido pela Companhia das Índias Orientais inglesa. A rivalidade era evidente, e o confronto inevitável.

Joseph-François Dupleix foi nomeado governador da Índia francesa em 1742, e, em 1746, capturou Madras, mas não conseguiu conquistar o forte inglês de St. David. As tensões continuaram, e as duas companhias iniciaram uma guerra privada em 1751.

A partir de 1769 a Companhia perdeu o seu monopólio do comércio com a Índia, e começou a declinar. Viria a desaparecer durante a Revolução Francesa, em 1789.

Em 1778, e 1793, os ingleses capturam a Índia francesa, à altura formada por Chandarnagar, Yanam, Pondicherry - a capital -, Karaikal e Mahe. De ambas as vezes a devolveram à França.

A Índia veria as possessões francesas serem-lhe devolvidas a partir de 1947.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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