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História - A Companhia das Índias Orientais

O nome coloquial Companhia das Índias Orientais, foi fachada para um nome muito mais complexo: Governor And Company Of Merchants Of London Trading Into The East Indies.

A Companhia tinha por objectivo a exploração do comércio, em regime de monopólio, com o Este - Sueste da Ásia, e a Índia, e foi legalizada por decreto real de 31 de Dezembro de 1600.

Viria a exceder esse objectivo, envolvendo-se na política, e tornando-se num agente do Imperialismo Britânico na Índia durante os séculos XVIII – XIX.

Começando por fazer viagens suportadas individualmente por um único agente comercial, passou, a partir de 1613, a fazer viagens suportadas por um grupo de comerciantes, grupo esse que passou a ser sempre o mesmo a partir de 1657.

Inicialmente focou-se no comércio de especiarias, até então monopolizado pelos portugueses – subordinados aos interesses de Espanha, por perda da independência, entre 1580 e 1640 –, e pelos holandeses, entretanto instalados na Índias Orientais Holandesas, hoje Indonésia.

O confronto com ambos seria inevitável.

Os holandeses afastaram-na dos seus territórios quando, em Fevereiro de 1623, em Ambon – hoje na Indonésia – o governador local, Herman van Speult, mandou executar 10 ingleses, 10 japoneses, e 1 português, acusados de conspirarem para o assassinar.

Da confrontação com os portugueses, na Índia, em 1612, resultou o ganho de direitos comerciais para a Companhia, concedidos pelo Imperador Moghul da altura.

Passou assim a poder exercer calmamente o seu negócio, baseado no comércio de algodão e seda, mais especiarias do sul da Índia.

Criticada na pátria mãe pelo seu monopólio, viu nascer uma empresa rival. Fundir-se-ia com ela, em 1708, mudando o nome para United Company Of Merchants Of England Trading To The East Indies.

Com a mudança de nome, veio a reorganização. A nova Companhia passou a ser comandada por um conselho de 24 directores, eleitos anualmente pelos donos.

Os directores, e, indirectamente, os donos, passaram a influenciar politicamente o que se passava na Índia a partir de 1760, ano em que a Companhia assumiu o controlo de Bengala, depois de Robert Clive ter derrotado, em 1757, em Plessey, o vasto exército de Suraj-ud-Daulah, o nawab daquele território.

A Companhia passou a ser a senhora de facto da Índia. Isto, apesar de o Imperador-fantoche Moghul, continuar, em Delhi, a "governar" com o seu consentimento.

O poder no terreno era reforçado pelos exércitos de Bengala, Bombaim, e Madras, chefiados por oficiais formados na Escola Militar da Companhia, em Addiscombe, Surrey, e formados por soldados Indianos profissionais, os spoys.

Inquietos com tanto poderio, os políticos da terra mãe passaram à ofensiva. O Regulating Act, de 1773, e o Pitt's India Act, de 1784, determinaram um controlo governamental sobre a política da Companhia, exercido por uma comissão reguladora responsável perante o Parlamento.

Começava o declínio do poder politico, e comercial, da Companhia.

O seus privilégios de monopólio cessaram em 1813, e, a partir de 1834, passou a ser uma mera agência do poder inglês da Índia.

Isso não a impediu de continuar a alargar a sua influência no país, como provam as conquistas do Punjab, em 1849, e do Baloquistão - hoje no Paquistão -, começada em 1854.

Em 1857, o exército de Bengala amotinou-se, num episódio que ficou conhecido, na história da Índia Britânica, como o Motim Indiano.

O motim terá tido origem próxima no facto de os soldados terem que arrancar, com os dentes, as pontas engorduradas dos cartuchos das suas novas espingardas Enfield. Rumores de que a gordura seria animal, feriram os sentimentos, e os princípios religiosos, de Muçulmanos e Hindus. Subjacentes estavam, porém, o descontentamento por reformas introduzidas nas instituições Indianas por Dalhausie, Governador Geral da Companhia, entre 1841 e 1856, e o receio de uma conversão forçada dos soldados ao Cristianismo.

Sem ter sido, na altura, um movimento nacionalista de revolta contra a presença Britânica, o Motim Indiano levou a episódios sangrentos, e a excessos de ambas as partes, e marcou o início do fim da Companhia.

Investigações sobre o seu comportamento levaram o Parlamento Britânico a decidir, em 1858, que a Índia devia ser governada directamente pela Coroa, nomeando Lord Canning para seu primeiro Vice-Rei.

Esvaziada de qualquer utilidade, a Companhia viria a ser extinta em 1873.

 
 

Cortesia Sumit Bhagra

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